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30 de jul. de 2011

O Reino de Deus através da Igreja


O Reino de Deus através da Igreja

A Igreja é a agência do reino de Deus sobre a face da Terra.

INTRODUÇÃO

- A Igreja é o povo escolhido por Deus para, nesta dispensação, levar o reino de Deus à humanidade.

- A Igreja é, portanto, a principal forma de o reino de Deus se manifestar entre os homens na atualidade.

I - O REINO DE DEUS REJEITADO POR GENTIOS E POR JUDEUS

- Já dissemos que “o reino de Deus” é, num determinado sentido, o próprio domínio de Deus sobre toda a Sua criação. Quando da criação do homem, como também já tivemos oportunidade de estudar, o Senhor deu ao homem a administração de toda a criação terrena, o que se denominou de “comissão cultural” (Gn.1:26,28).

- O homem, criado à imagem e semelhança de Deus, portanto, assumiu uma posição relevante no “reino de Deus”, a de “mordomo”, mas tal posição era condicional à obediência ao Senhor, tanto que não deveria comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal (Gn.2:16,17).

- Tendo desobedecido ao Senhor, o primeiro casal foi expulso do jardim do Éden e teve seu acesso à árvore da vida, símbolo da comunhão com o Senhor, vedado (Gn.3:22-24).

- Fora da comunhão com o Senhor, Deus não abandonou o homem, tanto que atentou para as ofertas que Lhe foram trazidas tanto por Abel quanto por Caim, tendo aceito a oferta de Abel, o primeiro justo (Hb.11:4) e recusado a de Caim, a quem, inclusive, advertiu para que não se deixasse dominar pelo pecado (Gn.4:7).

- No entanto, Caim saiu da presença de Deus (Gn.4:16,17), construindo uma civilização que não temia a Deus, que se fez independentemente do Senhor e que chegou, inclusive, a conquistar os corações e mentes dos descendentes de Sete (Gn.6:1-8), levando o Senhor a destruir o mundo com o dilúvio, com a exceção da família de Noé.

- Após o dilúvio, Deus fez um pacto com Noé, querendo, uma vez mais, estabelecer o Seu reino sobre a humanidade (Gn.9:1-17), mas os descendentes de Noé cedo se distanciaram do plano divino, construindo para si um outro governo, liderado por Ninrode (Gn.10:8-10). Diante desta recusa de se submeterem ao Senhor, recusa esta cristalizada pela construção da torre em Babel, Deus espalhou aquela comunidade pela terra, dando origem a todas as nações, aos gentios, que, como se vê, rejeitaram o reino de Deus (Gn.11:1-9).

- Diante da rejeição dos gentios ao “reino de Deus”, o Senhor, então, passou a formar um novo povo, que teria a missão, a tarefa de trazer o Seu reino para a humanidade. Assim, chama Abrão, a fim de que dele se formasse uma grande nação, na qual seriam benditas todas as famílias da Terra (Gn.12:1-3).

- Esta nação foi a nação de Israel, a quem o Senhor, no monte Sinai, propôs uma aliança, mediante a qual Israel seria um reino sacerdotal, uma propriedade peculiar de Deus entre os povos, com a missão precípua de trazer o “reino de Deus” para toda a humanidade (Ex.19:1-8).

- No entanto, apesar de terem aceito a proposta divina e terem recebido a lei, inclusive com derramamento de sangue de animais (Ex.24:3-8), cedo os israelitas também rejeitaram “o reino de Deus”, adorando o bezerro de ouro, início de uma série de episódios que levou Israel, por fim, a rejeitar o Messias, o próprio rei que estabeleceria “o reino de Deus” (Ex.32:34; Lc.19:41,42; Jo.1:11; 5:43).

- Os israelitas, portanto, a exemplo dos gentios, também rejeitaram “o reino de Deus”, que havia sido pregado explicitamente tanto por João Batista (Mt.3:1,2) como pelo próprio Senhor Jesus (Mc.1:15).

- Recusada a oferta do “reino de Deus” tanto por gentios, quanto por judeus, era preciso que se formasse um novo povo que fosse a agência do reino de Deus sobre a face da Terra. “Agência”, como ensinam os lexicógrafos (ou seja, os autores de dicionários), é “capacidade de agir, de se desincumbir de uma tarefa”, “estabelecimento que, mediante retribuição, se destina a prestar serviços”, “organismo”, “sucursal de repartição”.

- A fim de trazer as bênçãos, alianças e promessas que Deus quer dar aos homens, era preciso constituir um novo povo, já que gentios e judeus haviam se recusado a prestar serviços ao Senhor, a serem servos do Senhor, a levar “o reino de Deus” aos homens.

- Este novo povo foi fundado por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que o revelou logo após a famosa “declaração de Cesareia” em que Pedro, revelado pelo Pai, disse ao Senhor que Ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt.16:16-19), tendo o Senhor dito que sobre Ele próprio, o Cristo, edificaria a Sua igreja e as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

- Este “reino de Deus”, no entanto, não se apresentaria, como esperavam os judeus, com aparência exterior, com domínio político, mas, como disse Jesus logo em seguida à revelação da Igreja, mediante o sofrimento, morte e ressurreição do Senhor (Mt.16:21). Tal se daria, também, com relação aos discípulos do Senhor (Jo.15:18-21).

- A Igreja é a nova nação, formada tanto por judeus quanto por gentios (Ef.2:11-22), nação a quem foi dado “o reino de Deus” (Mt.21:42,43). Por isso, o Senhor Jesus disse aos fariseus que “o reino de Deus estaria entre eles” (Lc.17:20,21).

II - A IGREJA MANIFESTA O REINO DE DEUS PELA PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

- A Igreja, como temos visto, é a “agência do reino de Deus” sobre a face da Terra, ou seja, é ela que é incumbida de levar “o reino de Deus” para a humanidade, de mostrá-lo aos homens.

- Jesus, ao pregar o Evangelho do reino de Deus, disse que “o reino de Deus estava próximo” e que, por isso, era preciso arrepender-se dos pecados e crer no Evangelho (Mc.1:15).

- Como “corpo de Cristo” (I Co.12:27), ou seja, como continuadora da obra de Cristo em Seu ministério terreno, a Igreja tem de prosseguir a pregação do Evangelho do reino de Deus. Assim, em primeiro lugar, a Igreja manifesta “o reino de Deus”, mostra “o reino de Deus” através da proclamação do Evangelho, ou seja, utilizando-se da palavra grega constante do Novo Testamento, do “kerygma” (???????) (cfr., v.g., Rm.16:25).

- A Igreja é chamada de “coluna e firmeza da verdade” (I Tm.2:15), porque deve sustentar e ser a legítima anunciadora da Palavra de Deus sobre a face da Terra. Num mundo onde a iniquidade aumenta a cada dia (Mt.24:12), num mundo onde há corrupção geral e cada vez maior do gênero humano (Rm.1:18-32), cabe à Igreja a difícil tarefa de anunciar a Verdade, de mostrar ao mundo a Palavra de Deus, resplandecendo como astro no meio de uma geração corrompida e perversa (Fp.2:15).

- A Igreja é dita formada de “ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co.4:1) e a própria Igreja é chamada de “mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos Seus santos apóstolos e profetas” (Ef.3:4,5). Aliás, nem mesmo os homens de Deus do passado tiveram condições de perceber, em toda a plenitude, a revelação que se deu à Igreja (Hb.11:39,40; I Pe.1:10-12).

- A Bíblia On-line da Sociedade Bíblica do Brasil traz três definições de “mistério” que, por sua oportunidade e adequação, merecem ser analisadas aqui. A primeira é “segredo desconhecido até que seja manifestado por Deus por algum meio”. Sem dúvida alguma, somente a Igreja pode apresentar ao mundo os segredos divinos, todos eles, aliás, que se fizeram conhecidos através de Jesus Cristo (Jo.15:15). Deus só revela os Seus segredos aos Seus servos, os profetas (Am.3:7), motivo por que somente quem tem o Espírito de Deus, somente o povo adquirido pelo Senhor é quem pode anunciar a Verdade, revelar o que esteve oculto noutros séculos.

- A segunda definição de “mistério” é “o plano de Deus revelado no evangelho para a salvação de toda a humanidade“. O Evangelho é apresentado como um “mistério” que incumbe tão somente à Igreja pregar. O Evangelho é chamado de “mistério” (Rm.16:25; Ef.6:19; Cl.1:25-29; I Tm.3:9). A pregação do Evangelho, portanto, é um dos aspectos da revelação deste mistério.

- A terceira definição de “mistério”, na Bíblia On-line é “o conhecimento secreto que só Deus pode tornar conhecido”, algo que diz respeito ao exercício dos dons ministerial e espiritual da profecia e que é peculiar e particular a um determinado indivíduo ou a um grupo de indivíduos, que tem como finalidade a orientação e a demonstração cotidiana da onisciência divina ao Seu povo (cfr. Ap.1:20).

- Quando temos a noção de que a Palavra de Deus que devemos anunciar é um mistério, ou seja, algo que não é capaz de ser percebido pela mente humana sem a revelação divina, sem a operação do Espírito Santo, passamos a perceber que a Igreja é apenas o instrumento desta revelação, que é feita pelo próprio Deus, através da Pessoa do Espírito Santo, que dirige a Igreja e a faz se lembrar de tudo quanto foi anunciado pelo Senhor Jesus (Jo.14:26). O dever da Igreja é proclamar a Palavra, mas ela não o faz de “per se”, ou seja, ela não proclama a Palavra porque seja “a dona da verdade” nem tampouco por sua própria sabedoria ou capacidade, mas sob a direção do Espírito Santo, segundo as Escrituras, conforme a revelação divina, que atingiu em Cristo o seu ponto máximo e insuperável (Hb.1:1-3).

- A Igreja, portanto, enquanto corpo de Cristo, não é senão o “depósito”, a “despensa” da Verdade, que é o próprio Cristo. Por isso, nenhuma “Tradição” ou “Magistério” da Igreja pode se sobrepor ou se equiparar às Escrituras. A Igreja deve tão somente transmitir a Palavra, explicá-la, expô-la, pois são os “mistérios de Deus”, que foram trazidos ao nosso conhecimento pela graça e misericórdia divinas.

- É, pois, com profunda tristeza quando vemos que, em muitas igrejas locais, em vez de anunciar a Palavra, de nela se aprofundar e nela meditar de dia e de noite, vemos que muitos crentes têm preferido contender, discutir, debater e, não raras vezes, lutar contra a Palavra. Não é para isto que existe a Igreja. A Igreja deve fugir dos debates intermináveis, das dificuldades bíblicas infindáveis, das porfias e querelas escriturísticas, para não falar das intermináveis polêmicas a respeito de usos e costumes, pois tal comportamento é um desvio de conduta, uma subversão do objetivo estabelecido pelo Senhor para a Sua Igreja, até porque, segundo nos ensina o apóstolo Paulo, a entrega a vãs contendas é fruto de uma vida espiritual enferma e reprovável (I Tm.1:3-7).

- A primeira tarefa da Igreja como agência do reino de Deus sobre a face da Terraestá, precisamente, na pregação do Evangelho ao mundo, na tarefa da evangelização. A evangelização é a missão fundamental da Igreja. A pregação do Evangelho é uma responsabilidade que a Igreja tem diante de seu Senhor, que não só a determinou, em caráter imperativo (Mc.16:15), como também a efetuou em Seu ministério terreno (Mc.1:15).

OBS: O Código Canônico da Igreja Romana, em seu cânon 225,§ 1º traz uma afirmação que deveria ruborizar a genuína e autêntica Igreja. Ali se diz que “…todos os fiéis(…) têm obrigação geral e gozam do direito de trabalhar para que o anúncio divino da salvação seja conhecido e aceito por todos os homens, em todo o mundo: esta obrigação é tanto mais premente naquelas circunstâncias em que somente através deles os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo.”

- Para que não houvesse qualquer dúvida a respeito de qual seria o papel da Igreja, ainda mesmo de seu estabelecimento na Terra, Jesus bem mostrou aos Seus discípulos qual era o papel destinado aos Seus seguidores. Ainda cumprindo o desiderato divino de anunciar a salvação ao povo judeu (Jo.1:11a), Jesus, a fim de atingir a todas as aldeias e povoados da nação israelita na Palestina, destacou setenta discípulos, de dois em dois, para pregar o evangelho (Lc.10:1-24), mostrando, assim, que a tarefa primordial daqueles que O serviam era o de levar a mensagem das boas-novas de salvação, que era o que denominou de “a obra do Senhor” (Lc.10:1,2).

- Depois de ter consumado a obra da redenção do homem no Calvário (Jo.19:30), sacrifício aceito pelo Pai como nos prova a ressurreição(At.3:25,26; 13:29,20), Jesus, após ter passado quarenta dias dando prova da Sua ressurreição aos discípulos e falado a respeito do reino de Deus (At.1:3), explicitamente determinou qual seria a tarefa principal da Igreja. Mandou que o evangelho fosse pregado por todo o mundo a toda a criatura (Mc.16:15), uma ordem que estabeleceu um verdadeiro dever a todo cristão, a ponto de o apóstolo Paulo ter exclamado: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho!”(II Co.9:16).

- Esta ordem de Jesus, registrada por Marcos, foi proferida quando Jesus apareceu aos onze, depois de ter lançado a incredulidade de Tomé, oito dias depois da ressurreição (Mc.16:15 c.c. Jo.20:26-29), sendo, portanto, um dos assuntos referentes ao “reino de Deus” (cfr. At.1:3).

- A ordem do Senhor é para que se pregue o Evangelho. Mas o que é pregar? A palavra grega é “ekeryxthen” (?????????), cujo significado é “anunciar”, “proclamar”, “publicar”, “tornar público”. É interessante verificar que a própria palavra portuguesa “pregar” vem de “praedico”, em latim, que significa “dizer antes, antecipadamente, em primeira mão” e é por isso que a própria palavra “anunciar” tem também esta conotação de “dar a notícia antes”. A palavra “arauto”, que também tem este significado de “anunciador solene”, era o “comandante das forças armadas”, ou seja, aquele que trazia a “boa nova” da vitória do exército no campo de batalha ao povo que havia ficado em seus lares.

- “Pregar o evangelho“, portanto, não é apenas fazer um sermão, uma exposição da Palavra de Deus a um grupo de ouvintes, com eloquência, com unção do Espírito Santo. Isto também é pregar, mas não é esta a única forma que se tem para pregar o Evangelho, nem a só a isto que Jesus Se refere na “Grande Comissão”. Como sabemos, a tarefa do “ministério da Palavra” era, na igreja primitiva, dos apóstolos (At.6:4), mas, como vimos também, não foi só a eles que o Senhor determinou que se pregasse o Evangelho.

- “Pregar o evangelho” é, antes de mais nada, mostrar antecipadamente o Cristo, de forma adiantada, antes que se exponham os meandros da doutrina bíblica, antes que se mostre quem é Jesus nas Escrituras, que d’Ele testificam (Jo.5:39). Mas como podemos mostrar Jesus antes que O mostremos na Bíblia Sagrada? Através de nossas próprias vidas! O povo de Antioquia, ao ouvir a mensagem do Evangelho, começou a chamar os discípulos de cristãos, porque, ao compararem o modo de vida de cada crente com o que era mostrado nas Escrituras, descobriram que os crentes daquela igreja eram “parecidos com Cristo”, ou seja, eram “cristãos”.

- O que é “evangelho”? São as boas-novas, é a boa notícia, é a boa mensagem. Que mensagem? A mesma mensagem que Jesus pregou, ou seja, de que o tempo está cumprido e que o reino de Deus chegou, ou seja, que Jesus salva o homem e o liberta do pecado, pondo-o, novamente, em comunhão com Deus e lhe assegurando a vida eterna. Evangelização é o anúncio do Evangelho, é o anúncio de que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu. Era esta a mensagem que era pregada pelos apóstolos, aqueles que receberam diretamente a “Grande Comissão” (At.2:22-36; 3:13-26; 5:40-42; 6:14; 8:5,35; 9:20; 10:37,38; 11:20; 13:26-41).

- A Igreja deve pregar o Evangelho, deve pregar a Cristo. O seu assunto é a salvação do homem na pessoa de Jesus Cristo. É para isto que existe a Igreja, isto é que é evangelização. Não devemos nos perder em discussões inúteis e que não trazem proveito algum (I Tm.1:4-7; 6:3,5), mas não perdermos o foco, o alvo da Igreja que é o de pregar a Cristo Jesus. O Senhor nos mandou pregar o Evangelho e não ficar discutindo filigranas doutrinário-teológicas ou nos perdendo em interpretações de aspectos absolutamente secundários das Escrituras, quando não de questões relacionadas com a cultura. “Pregai o Evangelho”, diz o Senhor, é esta a função da Igreja, nada mais, nada menos que isto.

- A proclamação do Evangelho envolve a pregação, mas não se esgota nela. Como afirma o teólogo peruano Samuel Escobar Aguirre (1934- ), um dos grandes nomes da chamada “teologia da missão integral”: “…seguindo a teologia evangélica, devemos afirmar que a evangelização é uma das tarefas da Igreja, que não é única tarefa da Igreja, e que não termina com a proclamação.A compreensão da evangelização como tarefa central não nos deve levar a fechar os olhos às outras tarefas urgentes: o ensino de ‘todo o desígnio de Deus’, visando a que os crentes progridam na direção da ‘maturidade em Cristo’; o culto corporativo como expressão da comunhão em Cristo; o serviço mútuo; e o cultivo daquele tipo de relação que faz a comunidade cristã uma expressão visível da ação do espírito nas vidas dos homens. Quer dizer: Marturia, Koinonia e Diaconia. A Igreja é mais que uma proclamadora esperta na comunicação de conteúdos mentais: é a expressão visível da verdade que proclama….” (A responsabilidade social da Igreja. Disponível em:http://www.projetoverdade.com.br/estudos/aprioridadedaevangelizacao.htmAcesso em 14 jun. 2011).

III - A IGREJA MANIFESTA O REINO DE DEUS PELA FRUTIFICAÇÃO

- Quando o Senhor Jesus anunciou que a uma nova nação seria dado “o reino de Deus”, imediatamente afirmou que esta “nova nação” “daria os seus frutos” (Mt.21:43), tendo, nas últimas instruções aos discípulos, reiterado esta realidade, ao mostrar-lhes que haviam sido nomeados para ir e dar fruto, e fruto permanente (Jo.15:16). O apóstolo Paulo, também, coloca a frutificação como finalidade de pertencermos ao corpo de Cristo (Rm.7:4).

- Esta frutificação, como já vimos na lição 4, é a restauração da “comissão cultural” dada por Deus à humanidade, pois o homem foi feito para produzir o fruto do Espírito Santo (Gl.5:22). Não é por outro motivo que o Senhor Jesus disse que reconheceríamos os verdadeiros servos Seus dos falsos mediante os frutos produzidos (Mt.7:15-20).

- A característica da Igreja é a de produzir o fruto do Espírito Santo, que nada mais são que boas obras, pois as boas obras foram criadas para que a Igreja andasse nelas (Ef.2:10). Por isso, Tiago, o irmão do Senhor, foi claro ao afirmar que a fé sem obras é morta, ou seja, provamos ter fé em Cristo Jesus quando produzimos boas obras (Tg.2:14-26).

- A melhor e mais impressionante forma de pregarmos o Evangelho é vivermos de acordo com o Evangelho, é termos uma vida sincera e irrepreensível diante de Deus e dos homens. Paulo dizia que confessava ser cristão, mas podia fazê-lo porque procurava ter uma consciência sem ofensa diante de Deus e dos homens (At.24:16), repetindo, assim, a mesma conduta de seu Senhor (Lc.2:52; Jo.8:46a). Por isso, não é exato dizer que todo cristão foi dotado da eloquência para pregar em um púlpito para uma multidão ou, mesmo, para tomar a iniciativa de pregar a uma pessoa a ser por ele abordada na sua casa, no local de trabalho ou na escola. Mas todo cristão precisa, em sua vida, antecipadamente dizer a toda criatura quem é Jesus e qual é a transformação que Ele faz em todos quantos O aceitam como único Senhor e Salvador. É necessário que cada um de nós, com nossas vidas, “pregue o Evangelho”, que cada um de nós seja “…uma carta de Cristo e escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração, conhecida e lida de todos os homens” (cf. II Co.3:2,3).

- É a esta faceta da evangelização que Samuel Escobar Aguirre denomina de “marturia” (????????), que nada mais é que “testemunho“, aspecto que será objeto da próxima lição.

III - A IGREJA MANIFESTA O REINO DE DEUS PELA COMUNHÃO

- A Igreja, como afirma o apóstolo Paulo, estava longe de Deus mas, pelo sangue de Cristo, passou a estar perto do Senhor (Ef.2:13). Em virtude do sacrifício vicário do Senhor Jesus na cruz do Calvário, temos pleno acesso ao trono da graça (Hb.4:16; 10:19-23).

- Perdoados os nossos pecados pela nossa fé em Cristo Jesus, não temos mais nenhum impedimento para nos chegarmos a Deus, pois o Cordeiro de Deus tirou o nosso pecado (Jo.1:29), pecado que nos separava do Senhor (Is.59:2).

- Entramos, então, em comunhão com Deus, comunhão esta que é sustentada e desenvolvida pelo Espírito Santo que em nós habita (II Co.13:13). Esta comunhão é retratada pelo apóstolo João como “andar na luz” e, por andarmos na luz, como Ele na luz está, esta comunhão com o Senhor se torna, também, uma comunhão com os demais irmãos, com aqueles que também foram salvos por Jesus Cristo (I Jo.1:7).

- Assim, a comunhão, a “koinonia” (????????) mencionada por Samuel Escobar Aguirre, é outra característica que manifesta, entre os homens, “o reino de Deus” por intermédio da Igreja, uma comunhão tanto com Deus como com os demais integrantes da Igreja (At.2:42,44,46), comunhão esta que é solenemente declarada na celebração da ceia do Senhor.

- A palavra “comunhão” é uma expressão típica da Igreja, tanto que sé é encontrada nas Escrituras Sagradas em o Novo Testamento e, mais especificamente, após a “inauguração” da Igreja a partir do dia de Pentecostes do ano 30. Seu primeiro aparecimento na Bíblia é em At.2:42, na primeira descrição deste novo povo de Deus, quando se diz que os crentes perseveravam na doutrina dos apóstolos e na “comunhão”. É a tradução da palavra grega “koinonia” (????????). A Bíblia de Estudo Plenitude aponta o significado desta palavra como sendo “compartilhamento, uniformidade, associação próxima, parceria, participação, uma sociedade, um companheirismo, ajuda contribuinte, fraternidade”, dizendo tratar-se de “uma uniformidade realizada pelo Espírito Santo. Em koinonia, o indivíduo compartilha o vínculo comum e íntimo do companheirismo com o resto da sociedade cristã. Koinoniaune os crentes ao Senhor Jesus e uns aos outros.” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Palavra-chave: comunhão, p.1109) (destaques originais). A Bíblia On-line da Sociedade Bíblica do Brasil, por sua vez, afirma que a comunhão é “associação com uma pessoa, envolvendo amizade com ela e incluindo participação nos seus sentimentos, nas suas experiências e na sua vivência”, “relacionamento que envolve propósitos e atividades comuns”.

- O surgimento da palavra “comunhão” nas Escrituras Sagradas só depois do início da evangelização feita pelos apóstolos é uma demonstração de que se trata de um fenômeno que exige, previamente, a salvação das pessoas. Não há que se falar em “comunhão” se, antes, não se tiver o novo nascimento, ou seja, a visão e a entrada no reino de Deus (Jo.3:3,5). Em Seu diálogo com Nicodemos, o Senhor Jesus deixou bem claro que somente através do novo nascimento se pode ver e entrar no reino de Deus e que quem vê e entra está na luz (Jo.3:21) e para que tenhamos comunhão uns com os outros e com Deus é necessário que andemos na luz (I Jo.1:7).

- A “comunhão” é, portanto, um efeito da salvação, uma consequência de termos nos arrependido dos nossos pecados, crido em Jesus como nosso único e suficiente Salvador e, em virtude disso, passado a ter um novo modo de viver, uma nova direção em nossas vidas (conversão), o que é possível porque somos perdoados dos nossos pecados, tornados justos por Deus (a justificação) e separados do pecado e de seu domínio (a santificação posicional). Antes estávamos longe de Deus mas, pelo sangue de Cristo, chegamos perto (Ef.2:13) e, por isso, passamos a integrar este novo povo, a Igreja, o grupo daqueles “reunidos para fora”. Destarte, passamos a viver separados do mundo mas unidos a Cristo e a Seus irmãos, união esta que é a “comunhão”.

- Esta “comunhão” é “tornar comum”, ou seja, “tornar de todos”, aquilo que somente Jesus Cristo tinha, que era a qualidade de não ter pecado e, portanto, ser um com o Pai (Jo.10:30;17:22). Como Jesus nunca pecou, mantinha, enquanto homem, uma estrita comunhão com o Pai, pois o que faz divisão entre o homem e Deus é o pecado (Is.59:2). Como não havia pecado da parte de Cristo, nada impedia que Ele e o Pai estivessem em plena unidade, fossem um, tivessem comunhão e é por isso que nós, na medida em que cremos em Jesus e temos removidos os nossos pecados, também podemos ter esta mesma comunhão e se realize, assim, o anseio e desejo do Senhor manifestado na Sua oração sacerdotal, de sermos “perfeitos em unidade” (Jo.17:23).

- “Comunhão”, portanto, é passar a compartilhar dos sentimentos, propósitos e desígnios de Deus, é ser “participante da natureza divina” (II Pe.1:4), é ser “vara da videira verdadeira” (Jo.15:4,5). O salvo, ao alcançar a salvação, passa a ter em comum a natureza divina, ou seja, passa a ser santo, a se separar do pecado, a abominá-lo, assim como Deus e a ter os mesmos desejos, pensamentos e sentimentos divinos em suas atitudes, sendo, portanto, um instrumento, consciente e livre, para a manifestação do amor divino para os demais seres humanos.

- Não é coincidência, pois, que Lucas, ao descrever a igreja nos seus primeiros dias, tenha afirmado que se tratava de um povo que perseverava na doutrina dos apóstolos e na comunhão, ou seja, a igreja é um povo que, por permanecer nos ensinos dos apóstolos, que são os ensinos de Cristo Jesus, a Palavra de Deus, é um grupo de pessoas que permanece na comunhão, persiste sendo um conjunto de pessoas que compartilha dos mesmos desejos, dos sentimentos e desígnios.

- A comunhão apresenta-se, pois, como a principal característica da Igreja, a sua marca perante a humanidade, a característica indispensável para que o Senhor possa realizar a Sua obra através do Seu povo. Pela comunhão, a Igreja mostra-se como um povo perante os demais seres humanos e, graças a ela, pode cumprir todas as tarefas determinadas a ela. Tanto assim é que o relato de Lucas a respeito da igreja primitiva termina com o cumprimento da principal missão da Igreja: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At.2:47 “in fine”).

- Para que haja comunhão, portanto, é preciso que haja ausência de pecado, não só em virtude da chamada “santificação posicional”, ou seja, a nossa colocação por Deus entre os santos, pelo perdão dos nossos pecados (cfr. Sl.40:2,3), como também em virtude da nossa “santificação progressiva”, ou seja, a nossa contínua separação do pecado no dia-a-dia de nossa vida espiritual (cfr. Ap.22:11). A multiplicação do pecado em nossos dias (Mt.24:14) produz inevitavelmente a diminuição da comunhão e o consequente crescimento das divisões, porfias, dissensões e todas as obras pecaminosas similares a estas no meio daqueles que servem a Deus (Gl.5:20; Jd.20).

- A comunhão é o compartilhamento, participação, ou seja, a ação de tomar parte em algo, de se tornar parte de alguma coisa. Quando aceitamos a Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador, nós nascemos de novo e, ao nascermos novamente, esta nova criatura que surge é um ser que decide ser parte de um corpo, que é a Igreja, que deseja, de livre e espontânea vontade, passar a ser apenas uma parcela, uma parte de um organismo que tem propósitos, sentimentos e vontade determinados pelo Senhor Jesus, que é a sua cabeça.

- Desejar ser parte da Igreja é desejar ser submisso a Cristo, fazer o que Ele manda, tomar a posição e exercer a função que Ele determinar neste corpo. O crente que está em comunhão com Deus é um crente que não escolhe lugar, trabalho, tarefa, mas que se põe onde o Senhor manda, que ocupa o espaço que lhe é reservado no corpo de Cristo, pois tem consciência de que é parte do corpo, que é um “membro em particular” (I Co.12:27), ou, como diz a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, “cada um é uma parte desse corpo”.

- A comunhão é a consciência que o crente tem de que é uma “parte desse corpo”, é uma “peça da engrenagem” e que, portanto, deve se relacionar bem com os demais integrantes do corpo, sabendo que todos são necessários, que ninguém é melhor do que ninguém, de que precisamos uns dos outros e que a obra de Deus somente se fará pela união de esforços, de objetivos, propósitos e sentimentos, o que nos será transmitido pelo Espírito Santo, a Quem incumbe nos anunciar tudo o que tiver ouvido e glorificar a Cristo (Jo.16:13,14).

- Comunhão é compartilhamento, é participação e, por isso, é muito mais que uma conjugação de esforços, que uma mistura, que uma adição de pessoas. Muitos têm confundido a comunhão com uma simples mistura, esquecidos de que, na mistura, como nos ensina a química, há “associação de substâncias, distribuídas uniformemente, em processo que deixa intactas as moléculas, resultando num todo homogêneo”, ou seja, apesar de, a olho nu, na mistura, muitas vezes, vermos uma confusão na reunião de pessoas, na associação de elementos, na verdade, cada elemento continua intacto, ainda que isto nos seja invisível. Há um todo homogêneo, mas cada elemento continua diferente, muitas vezes até oposto (aliás, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa considera que um dos significados de “mistura” é, precisamente, “reunião de coisas diversas e/ou opostas”).

- Mistura não é comunhão, pois, na mistura, os elementos permanecem sendo o que eram antes de ser reunidos, antes de ser confundidos, antes de ser dissolvidos, mas, na comunhão, ao contrário, o que se tem é a transformação do elemento em parte de um todo que é uniforme, não apenas a olho nu, mas em essência, em natureza. Por isso, o apóstolo Paulo podia dizer que não mais vivia, mas Cristo vivia nele (Gl.2:20), porque agora era parte do corpo de Cristo, um elemento que participava da natureza divina, não um ser independente e que se mantinha intacto, intocado por Deus.

- Exemplo de mistura era o “vulgo” que saiu com Israel do Egito (Ex.12:38; Nm.11:4). A palavra hebraica para se referir a esta “mistura de gente” é “`ereb” (???), cujo significado é de “material entrelaçado, combinado”, como se fossem as linhas juntadas pelo tricô ou crochê, ou seja, pessoas que haviam estabelecido relacionamentos, que haviam se juntado com o povo de Israel, que pareciam ligados a eles mas que se mantinham intocados por Deus, que não faziam parte do povo de Deus, que não constituíam aquela nação que havia se comprometido a servir ao Senhor. Por isso, mantinham-se alheios aos propósitos divinos, não eram “parte do povo”, mas, sim, uma “mistura”, elementos que se mantinham independentes de Deus, sem qualquer compromisso com Ele. Foram estes que levaram a geração do Êxodo à incredulidade e à morte (Hb.3:19).

OBS: Em Nm.11:4, a palavra hebraica utilizada para designar o “vulgo” é “‘aspesuf” (?????), que significa “ralé”, “conjunto de pessoas à parte”, a indicar que se tratava de um grupo que não estava unido ao povo, à propriedade peculiar de Deus entre os povos, mas pessoas que se mantinham apartadas da presença de Deus.

- Esta “mistura de gente” não se limitou a Israel, mas também está presente “no reino dos céus”. As parábolas contadas pelo Senhor Jesus sempre nos advertem de que “no reino dos céus”, haveria uma “mistura de gente”, seja o joio no meio do trigo (Mt.13:25,26,38,39), sejam as aves que vêm se aninhar no pé de mostarda (Mt.13:32), seja o fermento no meio da massa (Mt.13:33).. Estes não têm comunhão com a Igreja, embora estejam no meio dela, transtornando a vida espiritual daqueles que servem verdadeiramente ao Senhor e, assim como o “vulgo”, serão os responsáveis por induzirem muitos a perder a salvação, pois, por ouvirem o “vulgo”, a geração do êxodo não entrou na Terra Prometida (Nm.11:4; I Co.10:5,6).

- A Igreja é um povo que tem comunhão com Deus e, por ter comunhão com o Senhor, sabe que é apenas uma parte e, por isso, acaba tendo comunhão uns com os outros, pois como temos consciência de que somos “partes”, sabemos que os outros irmãos também são “partes” e, por isso, nos unimos, sabendo que somente com a nossa união, o corpo poderá produzir o que a cabeça exige e determina, pois sabemos que somos “membros uns dos outros” (I Co.12:27 APF). Para que produzamos fruto e o nosso fruto permaneça (Jo.15:16), é fundamental que nos comportemos como “varas da videira verdadeira”, que assumamos a nossa condição de “partes” do corpo de Cristo.

- É importante vermos que o fato de assumirmos a condição de “partes” do corpo de Cristo não significa a anulação de nossa individualidade. Somos “membros em particular” do corpo de Cristo, ou, na expressão trazida pela Nova Versão Internacional, “cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (I Co.12:27) ou, na Tradução Brasileira, “individualmente um de seus membros”, o que nos mostra, claramente, que mantemos a nossa individualidade, mas a nossa vida passa a ser vivida em função do Senhor Jesus e de nossa posição no Seu corpo. Não viramos “massa” nem “robôs”, mas, por livre e espontânea vontade, passamos a renunciar a nós mesmos e a fazer a vontade do Senhor (Mt.16:24).

- A comunhão é, portanto, um estado espiritual que deve ser mantido pela nossa submissão ao Senhor Jesus, de Quem nos tornamos participantes (Hb.3:14), participação esta que exige, de nós, a retenção firme do princípio da nossa confiança até o fim, ou seja, que mantenhamos a nossa fé em Cristo Jesus até o instante de nossa morte física ou do arrebatamento da Igreja, se estivermos vivos até lá. Comunhão se faz, portanto, mediante a submissão nossa a Cristo, através da manutenção da nossa fé.

- Vemos, pois, que a associação que se fez entre a comunhão e a participação na ceia do Senhor é apenas uma figura da comunhão e não ela mesma, como, infelizmente, alguns consideram, ainda sob o influxo dos ensinos sacramentalistas surgidos no seio do romanismo. Não há dúvida de que a ceia do Senhor é uma declaração de que estamos em comunhão com Deus (o que é representado pelo vinho, símbolo do sangue que nos fez chegar perto de Deus) e com os nossos irmãos (o que é representado pelo pão, símbolo do corpo de Cristo, ou seja, da Igreja) (I Co.10:16). No entanto, o simples ato de participar da celebração da ceia não é prova da comunhão nem nos traz comunhão, mas é uma declaração de que estamos em comunhão. A comunhão vem de nossa vida espiritual de submissão a Deus, de conscientização de que somos “parte do corpo de Cristo” e que estamos “separados do pecado” desde o dia em que aceitamos a Cristo e fomos purificados pelo Seu sangue, que continua a nos purificar, dia após dia, se nos mantivermos em santidade.

- Tanto assim é que os que participam da ceia do Senhor sem ter esta vida de comunhão com Deus estão selando a sua própria condenação, porque estão a mentir, a faltar com a verdade, a não discernir o corpo do Senhor, a não compreender o que é a Igreja, o que é ser salvo, o que é ter comunhão com Deus e com o Seu povo (I Co.11:29,30). E, sabemos, que nenhum mentiroso herdará o reino de Deus (Ap.21:27; 22:15).

- A ausência de comunhão na Igreja é um escândalo (I Jo.2:10), ou seja, é um fator que faz com que os homens, em vez de receberem a Cristo como seu Senhor e Salvador, deixem de crer no Evangelho e o Senhor Jesus passa a ser, para eles, uma “pedra de tropeço”, um motivo de queda espiritual ( I Pe.2:8).

- Quem não está em comunhão com os irmãos e se faz instrumento de escândalo, encontra-se em situação espiritual extremamente difícil e danosa, pois, como diz o Senhor Jesus, melhor lhe fora que atasse uma pedra em seu pescoço e se atirasse no mar (Mt.18:6,7). Tomemos muito cuidado, amados irmãos!

IV - A IGREJA MANIFESTA O REINO DE DEUS PELA PUREZA

- Mas não é apenas pela proclamação do Evangelho, pela frutificação e pela comunhão que a Igreja manifesta “o reino de Deus”. Também o faz pelo que o nosso ilustre comentarista denominou de “humildade, simplicidade e receptividade” e que preferimos chamar de “pureza”.

- Em Mt.18:1, os discípulos interrogaram Jesus sobre quem seria “o maior no reino dos céus”. E o Senhor Jesus, em resposta a esta pergunta, chamou um menino, pôs no meio deles e lhes disse que se eles não se convertessem e não se fizessem como meninos, de modo algum entrariam no reino dos céus. Disse, ainda, que aquele que se tornasse como menino, esse seria o maior no reino dos céus e quem recebesse em Seu nome um menino como aquele que havia posto no meio dos discípulos, estaria recebendo ao próprio Jesus (Mt.18:2-5).

- Ao comparar “o maior no reino dos céus” a um menino, a uma criança, o Senhor está a revelar que os integrantes do reino de Deus têm de ter as mesmas características da criança.

- A primeira característica da criança é a sua inocência. A criança é inocente, não tem maldade, crendo em tudo quanto lhe falam e lhe ensinam. Não é uma mente vazia, mas, sim, uma mente vazia de maldade e de malícia. A criança é inocente, ou seja, alguém que é “incapaz de praticar o mal”, que é ignorante a respeito do mal, que “não faz mal”, que é “brando e manso”.

- O “maior no reino dos céus” é alguém que não é capaz de praticar o mal, que não tem como fazer o mal, que é brando e manso, que não mais conhece o mal. Para ser assim, é necessário que tenha aprendido de Jesus, que é manso e humilde de coração (Mt.11:29).

- O “maior no reino dos céus” tem de se fazer “pequeno”, ou seja, precisa ser humilde, estar aos pés do Senhor, humilhar-se diante da potente mão de Deus (I Pe.5:6). “Humildade vem do Latim humus que significa ‘filhos da terra’. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. A Humildade é a virtude que dá o sentimento exato da nossa modéstia, cordialidade, respeito, simplicidade, honestidade e passividade…” (Humildade. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/HumildadeAcesso em 14 jun. 2011).

- A humildade é a primeira bem-aventurança mencionada pelo Senhor Jesus no sermão do monte (Mt.5:3), dizendo que dos humildes é o reino dos céus, precisamente porque precisamos nos pôr como “pó da terra”, como um “menos do que nada” diante de Deus, reconhecendo que, não fosse a misericórdia do Senhor, estaríamos irremediavelmente perdidos.

- Quando nos conscientizamos de que somos “pequenos”, teremos condição de pertencer ao “reino de Deus”. Somente aos que se mostram “pobres e necessitados”, espiritualmente falando (Sl.40:17), o Senhor revela “o reino de Deus” (Mt.11:25).

- A segunda característica da criança é a sua credulidade. A criança crê em tudo que lhe falam, não suspeita mal de pessoa alguma. É, portanto, uma pessoa aberta a crer. Os integrantes do reino de Deus também devem ser pessoas de fé, que creem em tudo quanto Deus lhes falar (Hb.11:6; I Co.13:7) e que, também, não suspeitam mal do próximo, visto que são portadoras do amor de Deus (I Co.13:5).

- A terceira característica da criança é a sua disposição para aprender mediante o exemplo dos outros. A criança é uma grande aprendiz, sempre está disposta a aprender, não se acha conhecedora nem dona da verdade, mas, observando atentamente os que a cercam, busca aprender com os outros, principalmente com seus pais. De igual modo, o integrante do “reino de Deus” é alguém que está sempre pronta a aprender e aprender de Jesus, para quem olha atentamente (Hb.12:1,2).

- Lamentavelmente, muitos, na atualidade, comportam-se como um professor de filosofia que se encontrou com o mestre budista japonês Nan-in que, no encontro, passou a servir uma xícara de chá ao seu visitante, deixando, propositadamente, que o chá começasse a transbordar, visto que a xícara estava cheia. Quando o visitante disse para que ele parasse, pois já estava sendo derramado chá na mesa, o mestre disse que o referido professor era como aquela xícara, nada podendo aprender, vez que estava cheio de opiniões e ideias. Quando rejeitamos aprender do Senhor, não podemos ser “vasos de barro” que contenham “o tesouro excelente” (II Co.4:7).

- Não é por outra razão que os seguidores de Jesus são chamados de Seus “discípulos”, ou seja, Seus “alunos”, Seus “aprendizes”. Que sempre tenhamos consciência da verdade que disse Bildade, o amigo do patriarca Jó: “Porque nós somos de ontem e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra” (Jó 8:9), Quando não nos fazemos “pobres de espírito”, quando nos arrogamos como “ricos”, somos lançados fora do “corpo de Cristo” (Ap.3:16,17). Sejamos humildes, amados irmãos!

- A quarta característica da criança é a simplicidade.O que é simplicidade? Simplicidade é ausência de maldade. Como diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “qualidade, caráter daquele que é sincero; franqueza, pureza, candura”. No texto original grego, a palavra é “aplótes” (???????), cujo significado é, precisamente, o de “singeleza, sinceridade, franqueza, devoção sincera”, tanto que, na Nova Versão Internacional, a palavra é traduzida por “sincera e pura devoção a Cristo” em II Co.11:3 e por “sinceridade de coração” em Cl.3:22. Também não é diferente o significado da palavra hebraica correspondente a “simplicidade” no Antigo Testamento, “tom” (??) , que também quer dizer “integridade, inocência, sinceridade”.

- Quando vivemos com simplicidade, pregamos o Evangelho, pois uma vida simples nada mais é que ter uma vida piedosa e sincera diante de Deus, como acima já exposto, o que Paulo denomina de “testemunho da nossa consciência” (II Co.1:12). Esta simplicidade tem se perdido em muitas igrejas locais e, como consequência disto, parte-se para o formalismo, para o ritualismo, para o excesso de liturgia, para as inovações e para o misticismo, tudo para tentar esconder a falta da graça de Deus, graça esta que está apenas onde há simplicidade, como diz o próprio Paulo no texto há pouco referenciado.

V - A IGREJA MANIFESTA O REINO DE DEUS PELO SERVIÇO

- Por fim, como diz Samuel Escobar Aguirre, a Igreja também manifesta o “reino de Deus” pelo “serviço”, que o teólogo peruano denominou de “diakonia” (????????), palavra utilizada pelo Novo Testamento (v.g., II Co.11:8), cujo significado é “servir à mesa”, “servir”, “cuidar”, “ajudar, apoiar”.

- Jesus disse aos discípulos que, no “reino de Deus”, os maiores devem servir aos menores, ou seja, o serviço é a dimensão da grandeza, ao contrário do que ocorre entre os gentios (Mc.10:43,44). Jesus, a cabeça da Igreja, veio para servir e não para ser servido (Mc.10:45) e todos nós devemos ser Seus imitadores (I Co.11:1; Ef.5:1) e seguir-Lhe o exemplo (I Pe.2:21).

- Também não nos deteremos neste tema, pois é ele o objeto da lição 7 deste trimestre.

- Será que temos manifestado “o reino de Deus” em nossas vidas, com “kerygma”, “koinonia”, “marturia” e “diakonia”? Pensemos nisto!

Colaboração para o Portal Escola Dominical - Dr. Prof. Caramuru Afonso Francisco

SIGLAS E ABREVIATURAS

APF - Versão Antonio Pereira de Figueiredo

v.g. - “verbi gratia”, por exemplo

Publicado no Portal EBD


30 de out. de 2010

A EXPANSÃO DO REINO DE DEUS

Leitura Bíblica: Mateus 13:31,32 ; Atos 2:44-47

INTRODUÇÃO

Continuando o estudo das Parábolas, estaremos estudando a Parábola do grão de mostarda, que é a terceira narrada em Mateus 13, onde Jesus, ainda tratando do reino de Deus, fala, agora, acerca de sua expansão, a qual é uma realidade, mas que tem de ser analisada sob o aspecto espiritual, pois o reino de Deus não é deste mundo (cfr. Jo.18:36a). Esta parábola não foi interpretada por Jesus, ao contrário das duas já estudadas (a do semeador e a do joio e trigo), não se tendo, portanto, a tranqüilidade dos casos anteriores, onde não cabe discussão, já que a interpretação se encontra registrada na própria Bíblia Sagrada. Não é, portanto, surpresa que encontremos idéias tão díspares entre os ensinadores dos textos sagrados. Devemos, entretanto, ser cautelosos na interpretação, lembrando, sempre, que uma parábola não pode dar origem a qualquer doutrina, pois é uma explicação, uma ilustração de uma doutrina, bem como, também, procurar encontrar respaldo dos pensamentos e das interpretações em outras passagens bíblicas, pois, como diz a própria Bíblia, “…nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação, porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pe.1:20b,21).O objetivo de Jesus, nesta parábola, é fazer uma ilustração do que seja o reino de Deus. Na narrativa de Mateus, Jesus já havia falado a respeito da boa terra, que era o que foi semeado pela Palavra de Deus, ouviu e compreendeu a Palavra, deu fruto e produziu (Mt.13:23), como também da boa semente, que eram “os filhos do reino” (Mt.13:38), que, como trigo, seriam ajuntados no celeiro. Agora, vai dar uma idéia do que é o reino dos céus ou reino de Deus. Para tanto, usa da figura do grão de mostarda.

Considerações Preliminares

Assim como o Senhor Jesus deixou claro que a Verdade Central da Parábola do Semeador é a necessidade de que sua Palavra seja ensinada, e pregada, em todo o mundo e a todas as criaturas, e que a da Parábola do Trigo e do Joio é a necessidade da convivência entre o Bem e o Mal enquanto a Igreja estiver aqui na Terra, sendo que a separação será feita “por ocasião da ceifa”, assim, também, o Espírito Santo, como representante de Jesus, aqui na Terra, tem dado entendimento aos homens de Deus, aos teólogos e comentaristas responsáveis, idôneos e tementes a Deus sobre a Verdade Central da Parábola do Grão de Mostarda. Existe, portanto, um entendimento comum, ou um consenso de que, ao propor esta Parábola, o Senhor Jesus quis revelar como aconteceria A Expansão do Reino dos Céus, ou, como seria o Crescimento de sua Igreja, após ter tido um inicio revestido de muita humildade, sem qualquer aparência exterior, quase imperceptível aos olhos dos homens, ou à semelhança de um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo. Contudo, apesar de um começo sem toques de trombetas”, tal como uma hortaliça, a Igreja teria um rápido crescimento, da mesma forma que o pé de mostarda que “...crescendo, é a maior das plantas e faz-se uma árvore”, visto que embora sendo uma hortaliça, chega a atingir até quatro metros de altura. Nós acrescentamos que a Igreja do Senhor, contida no cristianismo, se destacaria na imensa Horta na qual o grão de mostarda foi plantado, que seria, infinitamente maior, do alto dos quatro metros de altura do Pé de Mostarda, deixando lá em baixo, sob ou rastejando sobre a Terra, os pés de pepinos, alface, couve e diversas outras hortaliças que bem podem representar as “grandes religiões” fundadas por homens como Confúcio, Buda, Maomé, e tantos outros. Existe, pois, um consenso sobre A Verdade Central que o Senhor Jesus quis revelar ao propor A Parábola do Grão de Mostarda. Ela diz respeito ao crescimento da Igreja que foi fundada no calvário, inaugurada no pentecoste, e que, hoje, está em toda a Terra, mas que, em breve estará no Céu.

A Igreja do Senhor Jesus começou à semelhança de “um grão de Mostarda”. Tão pequeno, quase imperceptível, sem nenhuma aparência exterior, foi assim que tudo começou quando “...o Semeador saiu a semear”. O Semeador não era um professor, um pós-graduado numa Universidade famosa como a nossa USP, a SORBONE, dos franceses, a HARVARD, dos americanos, ou nem mesmo numa famosa, daquela época, situada em Roma, em Alexandria, ou em Jerusalém. Pelo contrário, o Semeador, diante dos mestres de Israel, dos escribas, dos fariseus, dos sacerdotes, do ponto de vista humano, era como “um grão de mostarda”, pois era, apenas, um jovem carpinteiro que cresceu, trabalhou e estudou na humilde aldeia de Nazaré, na Galiléia, de onde, segundo observou Natanael, “alguma coisa boa” não podia vir (João 1:46). O Semeador por ser semelhante “ao grão de mostarda”, um carpinteiro, e filho de carpinteiro, que nunca tinha estudado numa escola famosa, quando pela primeira vez ensinou na sinagoga de sua cidade, embora seus conterrâneos se maravilhassem “...das palavras de graça que saiam de sua boca...”, o discriminaram, e não aceitaram seu ensino, dizendo: “Não é este o filho de José?”... “E levantando-se, o expulsaram da cidade e o levaram até o cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem”( Lucas 2:22-29).

Nesta Lição, contudo, vamos aprender que “o grão de mostarda” cresceu, fez-se árvore, estendeu “seus ramos”, alcançou toda a Terra, e é hoje esta “...Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”( Efésios 5:27).

I – A SEMENTE DE MOSTARDA(Mt 13:31)

1) O grão de mostarda(v.31) – A palavra mostarda é de origem egípcia(sinapis) e aparece por cinco vezes nos três primeiros Evangelhos(Mt 13:31;17:20; Mc 4:31; Lc 13:19:17:6). Famosa como condimento ou por suas propriedades medicinais, a mostarda era tida pelos antigos helenos como um presente do deus da cura, Asclépio (ou Esculápio), e era usada como alívio para dores musculares. É uma das mais antigas hortaliças conhecidas, tendo sido utilizada, desde as mais remotas eras, para a produção de condimentos. É popularmente conhecida como tempero inseparável de hot-dogs,. Sua história pode ser traçada até três mil anos atrás, quando era amplamente utilizada por egípcios, gregos, romanos e povos asiáticos.

Não resta dúvida de que a ilustração feita por Jesus pegou a todos de surpresa. Ao falar no reino dos céus (ou reino de Deus, nos evangelhos segundo escreveram Marcos e Lucas), seria natural que os ouvintes do Mestre se voltassem aos tempos gloriosos do reinado de Salomão, ou, quem sabe, ao período de grandes vitórias militares de Davi. Até mesmo, alguém poderia esperar que Jesus fosse comparar o reino de Deus à glória de Roma, então a senhora do mundo, ou aos esplendores passados dos impérios babilônio, persa ou grego, mas, ao trazer a figura do reino de Deus, Jesus não usa de coisa alguma que fosse humana. Talvez se esperasse que a melhor imagem do reino de Deus fosse o leão, este majestoso animal que, até hoje, é denominado de “o rei dos animais”. Aliás, não era o leão o símbolo da tribo de Judá, a tribo real, a descendência de Davi, de onde proviria o Messias (Gn.49:9)? E se fosse escolhida uma imagem no reino vegetal, não seria o reino de Deus apropriadamente representado pela oliveira, ou, então, pela figueira ou a videira, árvores excelentes, que tanto bem traziam ao ser humano e cujos frutos eram assaz benéficos e desejáveis e que, inclusive, já tinham tido suas virtudes mencionadas em conhecida parábola das Escrituras hebraicas (Jz.9:8-13)? No entanto, Jesus preferiu apresentar como figura do reino de Deus o grão de mostarda. Jesus queria que os discípulos entendessem que mesmo uma semente tão pequena é capaz de produzir um grande resultado.

2) A lição dos contrastes - O reino de Deus é comparado ao grão de mostarda, algo comum, algo insignificante, pois o grão de mostarda é uma das menores sementes de hortaliças, para dizer, do seu inigualável modo de ensinar, que o reino de Deus, da mesma maneira, é, inicialmente, algo muito pequeno e insignificante, aos olhos da sociedade, assim como o grão de mostarda. Jesus não escolheu o grão de mostarda por acaso. A mostarda é, talvez, o mais eloqüente exemplo de crescimento que existe, pois, sendo a sua semente uma das menores que existe, é a maior das hortaliças, alcançando, no seu ano de vida, um crescimento vertiginoso. Muitos procuram objetar a parábola, dizendo que existem árvores maiores do que a mostarda, o que leva, inclusive, alguns estudiosos a, desesperadamente, quererem provar que, no Oriente, os pés de mostarda alcançam grandes alturas, como se isto fosse essencial para atribuir veracidade aos ensinos de Jesus. Jesus, aqui, não está preocupado com o valor absoluto, ou seja, com o tamanho da mostarda diante de outras árvores, mas, sim, com o valor relativo, isto é, com a grande diferença entre o tamanho da semente e o crescimento alcançado pela planta e tudo isto num pequeno intervalo de tempo, já que, como dissemos, a mostarda tem uma duração de vida bem curta (no Brasil, a EMBRAPA estima em 130 dias o período de colheita depois da semeadura).

A comparação com o grão de mostarda tem a ver, portanto, com o crescimento do reino de Deus. O reino de Deus, embora seja insignificante em seu início, não tenha qualquer parecer ou formosura, a exemplo do seu introdutor(Jesus)-Isaias 53:2, uma vez plantado, tem um crescimento rápido e espantoso, crescimento este que, também, ao contrário das árvores perenes, que perduraram por anos (algumas até por séculos, como é o caso das sequóias e dos carvalhos), é uma instituição que não foi feita para durar, mas para ser, também, rapidamente colhida assim que seu fruto estiver pronto para ser consumido.

A obra de Deus não vive de aparência nem deve se preocupar com ela. Os testemunhos, através dos séculos da história da igreja, sempre foram os mesmos: o trabalhar de Deus começou de modo insignificante, totalmente despercebido dos homens, mas teve sempre um crescimento vertiginoso, rápido e inimaginável. Quem poderia achar que uma pequena reunião, como as que começaram a se realizar na famosa rua Azuza, nos Estados Unidos, iria redundar no movimento pentecostal que existe há pouco mais de cem anos e que está em todo o mundo? Quem poderia ver em dois estrangeiros que viam mangas em Belém do Pará, sem saber o que eram, os iniciadores de um movimento como são as Assembléias de Deus no Brasil, pouco mais de 90 anos depois? Este é o trabalhar do reino de Deus e Jesus nos ensina que assim há de ser até o dia em que se der o final desta dispensação.

3) O poder misterioso da fé - O grão de mostarda, em outra ocasião, foi usado por Jesus para outra comparação, desta feita, com a fé. Em Mt.17:20, Jesus recomenda os discípulos a terem uma fé como um grão de mostarda, passagem que, aliás, é mal interpretada, pois se costuma dizer que se a fé tiver o tamanho de um grão de mostarda, teremos o suficiente para transpor os montes, quando, na verdade, Jesus, aqui, uma vez mais, retoma a ilustração do grão de mostarda para nos ensinar que a fé é algo que tem condições de crescer vertiginosamente, assim como o pequenino grão de mostarda dá origem à maior das hortaliças. Esta comparação de Jesus com o grão de mostarda para nos indicar a fé, serve-nos, também, para entender que é Jesus quem lança no mundo a fé. Por isso, certa feita, o Senhor indagou aos seus discípulos se, porventura, o Filho do homem acharia fé na terra (Lc.18:8b). A fé não pode ser produzida pelo homem, tem de ser lançada pelo semeador, pelo homem da parábola do grão de mostarda, que a lançou na horta (Lc.13:19). A fé salvadora é um dom de Deus (Ef.2:8), vem pelo ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17). Portanto, para que se tenha o início do crescimento do reino de Deus, faz-se necessário, em primeiro lugar, que o grão de mostarda seja plantado, e esta plantação somente se dará mediante a pregação da Palavra de Deus.

4) O campo de semeadura(v.31) - “...O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem, pegando dele, semeou no seu campo”(Mt 13:31). Há quem afirme que o “campo é um sistema de ação demoníaca comandado pelo Diabo” visto que “todo o mundo está no maligno”(I João 5:19). Para nós, o campo é o mesmo tanto na Parábola do Semeador, na do Trigo e do Joio, como, também, na do Grão de Mostarda. O campo é, na verdade, o mundo, mas, não o mundo, no sentido espiritual, aquele que “está no maligno”, mas, no sentido físico, aquele que tem como sua base territorial, a Terra. O Dono do Campo também é o mesmo nas três Parábolas, sendo aquele que disse : “...toda a terra é minha”(Êx 19:5). É, pois, na Terra o “campo” onde a Igreja, como representante do Reino de Deus, está sendo formada.

As sete Parábolas descritas no capitulo 13, de Mateus, retratam a história da Igreja, aqui na Terra, desde sua origem, à semelhança do “grão de mostarda” até o Dia do Arrebatamento, então, como sendo aquela “...Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”(Ef 5:27). Assim, se lá no principio, ela foi fundada sem qualquer “aparência exterior”, aqui ela é descrita por Paulo como sendo uma Igreja Gloriosa. Assim, se lá no principio, estavam reunidos no Cenáculo apenas “quase cento e vinte pessoas”(Atos 1:15), no futuro, lá no céu, o apóstolo João que havia dado o número dos anjos como sendo de “milhões de milhões e milhares de milhares”(Ap 5:11), não arriscou um número para calcular a multidão que compunha a Igreja, limitando-se a dizer: “Depois destas coisas, olhei, e eis aqui um multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, e povos, e línguas, estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos”(Ap 7:9). E pensar que tudo começou à semelhança de “um Grão de Mostarda”!!!

5) A lição do crescimento - A Bíblia diz que temos de ser imitadores de Cristo (I Co.11:1).Paulo, nesta passagem, diz que imitou Jesus e, com efeito, quando lemos I Co.3:6, vemos que, efetivamente, o apóstolo plantou o grão de mostarda. O grão de mostarda é, na espécie mais conhecida, de cor negra, sem qualquer beleza exterior e que tem um gosto azedo, picante, que só se tornará a conhecida “mostarda” dos nossos hot-dogs depois de devidamente misturada com sal, vinagre e outras plantas aromáticas. Assim é o Evangelho que temos de pregar: simples, insignificante, que é azedo, ou seja, incomoda e nos obriga a mudar de vida, mas que nos permitirá ter um crescimento espiritual inigualável e nos levará para as mansões celestiais, não só a nós mas a tantos quantos se arrependerem de seus pecados (aliás, por ser azedo é que o evangelho leva o homem ao arrependimento e confissão de seus pecados, que é o primeiro passo para a salvação). Um fato deve ser salientado, é que Jesus não estava apenas empenhado em crescimento numérico de discípulos, mas também em mostrar outro elemento fundamental para se avaliar o desenvolvimento do Reino de Deus: o qualitativo.

II – A GRANDE ÁRVORE(Mt 13:32)

1) A forma de crescimento - “...mas, crescendo, é a maior das plantas”. Como a Verdade Central desta Parábola era a de ensinar sobre o rápido crescimento da Igreja, embora começando sem qualquer aparência exterior, é claro que o Senhor Jesus não iria usar a figura de uma árvore, como a figueira, ou a oliveira, ou qualquer outra que demorasse muitos anos para se desenvolver, e dar frutos. Por falta de conhecimento sobre a interpretação das Parábolas, muitos não entendem porque ele usou o Grão de Mostarda. Ele usou, certamente, porque a mostarda é uma das hortaliças e as hortaliças crescem de uma maneira muito mais rápida que as árvores de outras espécies. Com efeito, a Igreja que começou com “o Semeador” que “saiu a semear”, que foi inaugurada no Pentecoste, quando ali no Cenáculo estavam reunidos “quase cento e vinte pessoas”(Atos 1:15), começou a crescer tal como cresce uma hortaliça, conforme podemos constatar pelo livro de Atos dos Apóstolos. Logo no dia da inauguração, após a pregação de Pedro, “O Pé de Mostarda” teve um considerável crescimento – “...agregaram-se quase três mil almas”(Atos 2:41). O Pé de Mostarda não parou mais de crescer. Em Atos 4:4 lemos que “Muitos dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a “quase cinco mil”. O número, agora já não dava para contar, falava-se em multidão – “E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais”(Atos 5:14). Depois passou a falar-se em multiplicação – “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos e grande parte dos Sacerdotes obedecia a fé “(Atos 6:7). Em seu crescimento, “ O Pé de Mostarda” começou a estender “seus ramos” para fora de Jerusalém – formavam-se as Igrejas Locais – como projeção dos “Ramos”- “...as igreja em toda a Judéia, e Galiléia, e Samaria tinham paz e eram edificadas, e se multiplicavam”(Atos 9:31).A Igreja cresceu tal como cresce uma hortaliça, no caso, a mostarda. Mostrar esse crescimento foi, de fato, o objetivo da Parábola do Grão de Mostarda. Pouco mais de trinta anos depois de sua fundação, a Igreja já havia alcançado todo o Império Romano, o que significa dizer que a Igreja havia chegado “...aos confins da terra”(Atos 1:8), conforme declaração de Paulo, quando falando do “...evangelho que já chegou a vós, como também está em todo o mundo”(Cl 1:5-6). Continuando a crescer... Chegou até nós!

2) As ameaças ao crescimento - O crescimento do reino de Deus sempre tem gerado o surgimento de ninhos de aves dos céus no meio do povo de Deus, com grandes malefícios para a obra de Deus. Quando olhamos o nosso país, neste início do século XXI, não podemos deixar de ver a repetição do que aconteceu nos dias de Constantino. Hoje, o povo de Deus já não é mais tão perseguido como antigamente, mas a arma do inimigo não tem sido mais o uso de fogueiras de bíblias ou as pedras que, décadas atrás, eram atiradas nos pequenos salõezinhos ou humildes templos dos nossos irmãos. Hoje em dia, o adversário não mais precisa fazer uso destes expedientes, porque já tem grandes ninhos na mostarda adulta, ninhos como os interesses político-partidários de alguns, o mercantilismo de outros, a vida fácil e luxuosa de muitos. Para muitos, as igrejas locais passaram a ser meio de vida, fonte de sobrevivência, causa de lucro, assim como fora predito nas Santas Escrituras (II Pe.2:1-3). O resultado deste estado de coisas é o prejuízo para a obra de Deus, o início da perda de esplendor da mostarda adulta.

3) O significado de “grande árvore”(v.32) -- “...o qual é realmentee a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas e se faz árvore...”(Mt 13). O maior problema dos diversos teólogos, e Comentaristas está no fato do Crescimento do Grão de Mostarda, que, “crescendo, é a maior das plantas e se faz uma árvore”. Lucas complica ainda mais a situação ao acrescentar a expressão “grande”- “...e fez-se grande árvore...”(Lc 13:19). Assim, muitos dos “nossos” comentaristas, sem, contudo, fugirem da Verdade Central da Parábola, classificam este crescimento de anormal. Do ponto de vista material, a expressão “crescendo é a maior das plantas e faz-se uma árvore” não é de difícil entendimento. Jesus era um Galileu e, naquele momento estava falando aos galileus, na sua grande maioria, agricultores, homens que conheciam a terra e as sementes que nela eram semeadas naquela região. Sabiam que a semente da mostarda era a menor de todas as sementes que eles semeavam. Sabiam, também, que o pé de mostarda, chamado de mostardeira, como hortaliça, era “a maior das plantas”, pois podia chegar, como eles afirmavam, até a altura de “um homem à cavalo. Nós, hoje, dizemos que, em média, o pé de mostarda alcança entre 3 e 4 metros de altura. Assim, como Jesus, em suas Parábolas, usava sempre as coisas que os seus ouvintes conheciam, ou seja, as coisas vistas, ou usadas no dia a dia, nenhum agricultor Galileu estranhou sua afirmação. É claro, portanto, que a expressão usada por Jesus de que “o grão de mostarda” “...crescendo, é a maior das plantas e faz-se arvore”, estava relacionada às demais plantas de sua espécie, ou seja, entre as plantas herbáceas e leguminosas, cultivadas em hortas, e empregadas na alimentação humana, como couve, alface, cenoura, e tantas outras. Numa horta onde haja diversas hortaliças, existindo um pé de mostarda, certamente que ele se destacará por ser “a maior das plantas”, tal como uma árvore. Na grande Horta, formada por toda Terra, “O pé de mostarda”, ou a Igreja do Senhor Jesus Cristo tem que se destacar dentre todas as demais “hortaliças” cultivadas pelos homens. Certamente que não foi sem razão que Jesus fez uso do “Grão de Mostarda” para ensinar sobre o Crescimento da Igreja. Acreditamos que, se o seu objetivo fosse o de ensinar sobre o esplendor e a firmeza de sua Igreja, então teria usado o cedro, como fez no Antigo Testamento, em referencia ao seu Reino, no futuro, ou seja o Reino Milenial(Ler Ez 17:22-23). Lá na Galiléia, o objetivo de Jesus era ensinar sobre a Expansão do Reino dos Céus. Por Isto usou uma hortaliça, porque a hortaliça não leva dezenas de anos para crescer, e dar frutos, tal como uma figueira. Assim, o fato do “Grão de mostarda” “...crescendo” tornar-se a maior de todas as hortaliças, é fácil de entender. Porém, o fato de tornar-se uma grande árvore” em cujos ramos se “aninham” as aves do céu, parece, realmente, haver um mistério. Paulo diria – “Grande é este mistério...” (Ef 5:22). Mistério é tudo aquilo que a razão não pode explicar, ou compreender. Assim, para nós há um mistério que envolve o Crescimento da Igreja. Certamente que ninguém nunca pôde explicar, ou compreender; ninguém, hoje, pode explicar, ou compreender; ninguém poderá, amanhã, explicar, ou compreender o Mistério do Crescimento da Igreja. Um “pé de hortaliça” espalhar seus “ramos” por toda Terra é um milagre – mas, ninguém poderá ser crente se não puder crer em milagres. O Milagre contraria as leis da natureza. Por isto não é explicável pela Ciência, ou pela razão humana. É possível que o Senhor Jesus quisesse ensinar que o Crescimento da Igreja seria para o mundo um mistério, e para nós, um milagre. Como ninguém perguntou como isto aconteceria, então ele deixou para que nós tentássemos descobrir.

A Igreja, cerca de 33 ou 34 anos após sua fundação, já estava “em todo o mundo”, conforme declarou Paulo, falando do “...evangelho que já chegou a vós, como também está em todo o mundo...”(Cl 1:5-6). O “Pé de Mostarda”, ou a Mostardeira continuou através dos séculos a estender seus ramos por toda a Terra... e chegou até nós! Assim, em lugar de vermos um crescimento anormal, no sentido deformativo, preferimos ver o crescimento da Igreja como a operação de um milagre, no sentido positivo, promovendo o crescimento do Corpo de Cristo.

III – AS AVES DO CÉU(Mt 13:32)

“...de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos seus ramos”. A maioria dos comentariastas divergem sobre a simbologia das “aves do céu” que “se aninham” nos “ramos” do “pé de mostarda”. Entendem uns que elas representam “Satanás e seus demônios”, o que nos causa estranheza. No caso do Joio, o Senhor disse que ele foi semeado “no meio do trigo”, ou seja, entre os pés de trigo. Porém, as aves não fazem seus ninhos entre os ramos, mas, nos ramos. Assim, temos dificuldade para aceitar Satanás e seus demônios “aninhados” na Igreja, que é a Noiva do Cordeiro. Não podemos aceitar esta interpretação.

Outros afirmam que essas “aves do céu” representam os pecadores, os incrédulos, na pessoa de políticos e outros oportunistas que procuram se infiltrar na Igreja, com aparência de crente, para dela tirar algum tipo de vantagens pessoais, e materiais. Porém, a maioria dos crentes discordam, também, sejam esses “oportunistas” estas “aves do céu”, embora acreditemos que eles, de fato, estejam infiltrados no meio do Povo de Deus, mas, na condição de Joio, conforme o Senhor Jesus se referiu na parábola do Trigo e do Joio.

Outros identificam “as aves do Céu” como sendo os gentios, que desde o Centurião Cornélio, sua família, e seus amigos, continuam encontrando nos “Ramos do Pé de Mostarda”, um lugar seguro onde podem descansar, após aceitarem o convite de Jesus – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”(Mt 11:28). Certamente que a Horta onde o “Grão de Mostarda” foi semeado, não era, apenas, o território da Nação de Israel.

Nós concordamos que as “aves do Céu” simbolizam os gentios. Ora, sabemos que os gentios são, precisamente, as nações que, desde Babel, se rebelaram contra Deus e se puseram sob o domínio do pecado. Os gentios são, exatamente, aqueles que não se convertem a Deus e que fazem parte deste sistema mundial que somente será destruído por ocasião da derrota do Anticristo e do Falso Profeta no Armagedom. Deste modo, como são filhos da desobediência, verdadeiros filhos do diabo, vemos até como filigrana a discussão de alguns no sentido de identificar estas aves como pessoas sob o domínio do diabo ou com o próprio diabo e seus anjos. Podemos dizer que as aves simbolizam tanto um quanto outro, pois, quando as pessoas agem sob a influência de Satanás, é como se o próprio Satanás esteja agindo, como, aliás, bem demonstrou Jesus no episódio em que Pedro foi usado pelo diabo (Mt.16:22,23), episódio, aliás, que ocorreu pouco depois de Jesus ter dito que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Oportunista por excelência, o diabo usa do próprio crescimento do reino de Deus para tentar destruir a obra de Deus. Seu trabalho é matar, roubar e destruir (Jo.10:10), não medindo esforços para tentar cirandar com os servos de Deus (Lc.22:31). Ele está sempre rugindo como leão buscando a quem possa tragar (I Pe.5:8). O diabo é nosso adversário e, por isso, é chamado de “Satanás”, que, em hebraico, significa “adversário”. O próprio crescimento da obra de Deus é uma oportunidade que, se não vigiarmos, será criada pelo diabo para criar ninhos no meio do povo de Deus e ali estabelecer suas cidadelas, seus agentes, de modo a trazer confusão e prejuízo ao reino de Deus. Na própria história da Igreja, temos visto isto acontecer. O desvio espiritual que gerou o “cristianismo apóstata” é produto direto do crescimento do reino de Deus. O final da perseguição, o reconhecimento da liberdade de culto para os cristãos no Império Romano, que era um nítido triunfo, uma bênção para o reino de Deus, transformou-se em uma armadilha na qual cedo caíram muitos que, embriagados pelo poder terreno, acabaram por permitir a entrada indiscriminada do paganismo no meio do reino de Deus, a ponto até de o bispo de Roma ter se tornado o sacerdote supremo do culto babilônico ! O resultado é o que vemos hoje, um “cristianismo” que segue dogmas, festas e preceitos totalmente dissociados dos ensinos da Palavra de Deus, Palavra esta, aliás, que chegou a ser um dos “livros proibidos” nos tempos negros da Inquisição nas Idades Média e Moderna.

Assim, embora divergindo sobre as questões secundárias, todos concordamos com a Verdade Central que fala sobre o crescimento da Igreja, ou a expansão do Reino dos Céus.

IV – CONCLUSÃO

Tomemos cuidado, porque a hora da colheita está chegando e, quando chegar a ceifa, as aves, certamente, baterão em retirada, levando consigo todos aqueles que não tiverem dado fruto, porque se desligaram da planta e se recolheram ao conforto e mordomia dos ninhos. Estes não serão colhidos, estes não serão alojados no celeiro, mas, juntamente com as aves, a quem está destinado o lago de fogo e enxofre (Mt.25:41), sofrerão eternamente (Mt.13:42).

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD/Assembléia de Deus –Ministério Bela Vista/Fortaleza-CE.

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Bibliografia: Comentário Bíblico do Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco, Prof Antonio Sebastião da Silva; Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal.